O agora ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL), formalizou sua renúncia ao cargo na tarde desta sexta-feira (11), surpreendendo o cenário político local. O pedido foi protocolado na Assembleia Legislativa por seu advogado, Juvenal Klayber, pouco antes da realização do segundo turno da votação que poderia levar à abertura de um Tribunal Misto para julgá-lo por crimes de responsabilidade.

Com a renúncia, o processo de impeachment perde efeito jurídico, já que o principal objetivo – a perda do mandato – tornou-se irrelevante com a saída espontânea de Carlesse. Durante a sessão extraordinária, os parlamentares devem apenas fazer a leitura da carta enviada por ele. A mensagem também será exibida em vídeo, no qual o ex-governador afirma que chegou “ao limite” diante das acusações.

Na carta de renúncia, Carlesse afirma que tomou a decisão para poder se defender “de forma tranquila e serena” no âmbito do Judiciário. Ele também classificou as acusações como “injustas e inverídicas”.

Processo de Impeachment

As denúncias que embasaram o pedido de impeachment foram originadas a partir de investigações conduzidas pela Polícia Federal e chanceladas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que afastou Carlesse do cargo em outubro de 2021. As apurações envolvem suspeitas de recebimento de propina e tentativa de interferência política nas investigações da Polícia Civil do estado.

Mesmo após a aprovação do processo em primeiro turno na Assembleia Legislativa, Carlesse insistia em sua inocência e havia prometido contestar judicialmente as decisões.

Vice-governador assume em definitivo

Com a renúncia oficializada, o então vice-governador Wanderlei Barbosa (sem partido) passa a ocupar definitivamente o cargo de governador. Desde o afastamento de Carlesse, Barbosa vinha exercendo a função interinamente. Uma cerimônia solene será marcada para oficializar a posse.

Durante sua gestão provisória, Barbosa se distanciou politicamente do ex-governador e promoveu uma ampla reformulação no alto escalão do Executivo estadual. A nova gestão angariou apoio político expressivo: 21 dos 24 deputados estaduais subscreveram um manifesto de apoio ao novo governador.

Trajetória marcada por reviravoltas

Carlesse chegou ao cargo de governador em 2018 de forma inesperada, após a cassação de Marcelo Miranda (MDB) e da vice Cláudia Lelis (PV) por decisão da Justiça Eleitoral. Até então presidente da Assembleia Legislativa, Carlesse assumiu o comando do Estado e se manteve no posto após vencer a eleição suplementar e ser reeleito naquele mesmo ano.

Seu mandato, no entanto, foi permeado por controvérsias. Uma das medidas mais criticadas foi a alteração no manual de conduta da Polícia Civil, apelidado de “decreto da mordaça”, que limitava a divulgação de informações sobre suspeitos e impunha restrições a críticas públicas feitas por servidores.

A renúncia de Carlesse encerra um dos capítulos mais turbulentos da política tocantinense recente, mas os desdobramentos judiciais das acusações contra ele ainda devem se estender nos próximos meses.